quinta-feira, 23 de agosto de 2012

NOITE

poetas góticos
Augusto dos Anjos
A nebulosidade ameaçadora Tolda o éter, mancha a gleba, agride os rios E urde amplas teias de carvões sombrios No ar que álacre e radiante, há instantes, fora. A água transubstancia-se. A onda estoura Na negridão do oceano e entre os navios Troa bárbara zoada de ais bravios, Extraordinariamente atordoadora. A custódia do anímico registro A planetária escuridão se anexa… Somente, iguais a espiões que acordam cedo, Ficam brilhando com fulgor sinistro Dentro da treva onímoda e complexa

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